Mesmo diante de um ambiente de crédito caro e juros elevados, o setor imobiliário brasileiro iniciou 2026 demonstrando resiliência. As principais construtoras do país surpreenderam positivamente no primeiro trimestre, com resultados operacionais acima das expectativas do mercado.
De acordo com análise do banco Safra, o desempenho foi sustentado por uma combinação de demanda consistente e ajustes estratégicos das empresas. A absorção média dos lançamentos ficou em torno de 41%, indicando boa aceitação dos novos empreendimentos, enquanto as vendas de estoque se mantiveram firmes, contribuindo para a redução do volume total disponível.
No segmento de médio e alto padrão, o cenário foi mais equilibrado. Embora os lançamentos tenham registrado uma queda de 12% na comparação anual, as vendas líquidas avançaram 23%, superando as projeções do mercado.
Ainda assim, o setor enfrenta desafios. O nível de estoques acumulados continua elevado, com crescimento de 28% em relação ao ano anterior, o que pressiona a velocidade de vendas. O indicador de VSO (velocidade de vendas sobre oferta) ficou em 15,6%, ligeiramente abaixo do registrado em 2025.
Entre os destaques positivos do período estão empresas como Moura Dubeux e Eztec, que apresentaram forte crescimento nas vendas, com altas de 86% e 81%, respectivamente. Já outras companhias, que não realizaram lançamentos no trimestre, sentiram maior impacto na performance comercial.
Grande parte dessa resiliência está associada ao desempenho do segmento de baixa renda, impulsionado pelo programa habitacional federal. O Minha Casa, Minha Vida continua sendo um dos principais motores do setor, garantindo demanda mesmo em um cenário macroeconômico mais restritivo.
Além disso, há expectativa de melhora ao longo do ano. Medidas de estímulo ao crédito, como a ampliação dos limites de renda e dos valores financiáveis no programa habitacional, devem aumentar o acesso da população ao financiamento imobiliário e sustentar o ritmo de vendas nos próximos meses.
Apesar do cenário ainda desafiador, os analistas mantêm uma visão positiva para o setor. A maioria das empresas segue com recomendação de compra, indicando confiança na capacidade das construtoras de atravessar o ciclo de juros elevados e capturar oportunidades à medida que o mercado se ajusta.
O desempenho do primeiro trimestre reforça uma leitura importante: mesmo sob pressão macroeconômica, o mercado imobiliário brasileiro segue sustentado por demanda estrutural e por programas que ampliam o acesso à moradia — fatores que continuam dando suporte ao crescimento do setor.







