O crédito imobiliário no Brasil deve registrar recuperação ao longo de 2026, impulsionado principalmente pelo crescimento das operações via poupança, segundo projeções da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). Após um período de retração em 2025, em meio a juros elevados e menor disposição ao financiamento, a expectativa das instituições financeiras é que a oferta de crédito viabilizado por recursos de poupança volte a aumentar neste ano, contribuindo para maior dinamismo no mercado de compra e construção de imóveis.
De acordo com o estudo da Abecip, a retomada do crédito via sistema de poupança e empréstimos está associada a uma percepção mais estável das condições econômicas, com expectativas de redução gradual das taxas de juros e melhor coordenação entre oferta e demanda. A utilização de recursos de poupança é considerada menos onerosa para os bancos em comparação com outras fontes de financiamento, o que pode, a médio prazo, refletir em condições mais competitivas para o tomador.
Especialistas ressaltam que o efeito positivo sobre o crédito imobiliário dependerá não apenas da oferta de recursos, mas também da retomada da confiança dos consumidores e empresas diante de um cenário econômico ainda desafiador. A melhoria nas expectativas de emprego e renda, combinada com uma política de juros mais favorável, tende a favorecer o aumento da procura por financiamento para aquisição da casa própria, impulsionando segmentos como o residencial de média renda.
Embora a perspectiva seja de crescimento, a Abecip alerta que os números ainda podem ser influenciados por fatores macroeconômicos em 2026. A trajetória da inflação, as decisões de política monetária do Banco Central e o desempenho do mercado de trabalho seguem sendo variáveis centrais para que a expansão do crédito imobiliário se consolide ao longo do ano.
Para incorporadoras e construtoras, a previsão de aumento no crédito via poupança representa uma oportunidade de aquecer vendas e novos lançamentos, especialmente em projetos voltados ao segmento residencial popular e de média renda, onde a dependência do financiamento é mais expressiva. Caso as projeções se confirmem, o mercado pode vivenciar maior equilíbrio entre oferta e demanda, com impacto positivo em indicadores de absorção e no ritmo de produção industrial de materiais de construção.







