Se você achou que os grandes gestores tinham parado nas lajes, shoppings e galpões, é hora de olhar o mapa de alocação mais de perto.
A Bahia continua no radar dos fundos imobiliários, mas, desta vez, sob uma nova roupagem: os CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio), títulos de crédito com garantias reais e lastros físicos que se conectam diretamente ao mercado de ativos imobiliários.
O que antes era visto apenas como produto financeiro de outro setor agora se mostra como uma extensão sofisticada do investimento em imóveis, com o mesmo princípio de segurança patrimonial, previsibilidade de fluxo e valorização de longo prazo.
Com a ajuda do estrategista financeiro Deivisson Sousa (CEO da Ora Finanças) reunimos os fundos imobiliários listados na Bolsa que mantêm exposição a CRAs com garantias ligadas à Bahia, comprovando que os gestores seguem investindo no território baiano, e de forma cada vez mais estratégica.
KNCA11

O Kinea Crédito Agro (KNCA11) é um fundo imobiliário que carrega, entre seus créditos, a operação da Bahia Etanol, com garantias reais típicas do mercado de base imobiliária: terreno, máquinas, equipamentos, ações, recebíveis e aval.
Além da Bahia Etanol, o fundo ainda possui exposição a Klabin, Raízen, BRF e J. Macedo, demonstrando a robustez de uma carteira lastreada em ativos tangíveis e companhias de grande porte.
Na prática, o KNCA11 mostra como o mercado vem ampliando o conceito de “imóvel”, integrando empreendimentos produtivos e infraestruturais à lógica dos fundos de crédito imobiliário.
KOPA11

O Kinea Operações Agro (KOPA11) também figura entre os fundos com exposição à Bahia Etanol, repetindo o modelo de garantias reais.
Com ativos físicos e fluxo contratual atrelado, o fundo reforça o movimento de gestores que ampliam o portfólio sem abrir mão da segurança patrimonial, aproximando o CRA da dinâmica dos CRIs que o investidor de FIIs já conhece bem.
VGIA11

O Valora CRA Infra Agro (VGIA11) inclui entre suas operações grupos com forte presença na Bahia, como Coagril, Belmiro Catelan, Ilmo da Cunha e Uby Agroquímica.
Essas estruturas contam com alienação fiduciária de terras, cessão de direitos creditórios e aval corporativo, reforçando a base real das operações.
O destaque vai para o Grupo Belmiro Catelan, atuante na Bahia desde 1984 e responsável por mais de 78 mil hectares de produção, cuja estrutura de garantias consolida o estado como ativo relevante dentro da carteira.
RZAG11

No Riza Agro (RZAG11), o nome da Bahia aparece com ainda mais força.
O fundo reúne operações com Atafona, KPS, Horita e Irmãos Gatto, grupos que profissionalizaram o interior baiano e transformaram patrimônio físico em base de crédito e investimento.
Todos têm governança corporativa estruturada, balanços auditados e ativos territoriais de grande escala, o que aproxima o perfil de risco-retorno desses CRAs ao dos fundos de tijolo de alto padrão.
Segundo o estrategista Deivisson Sousa, o recado é claro:
“Os gestores seguem comprando ativos com lastro real, e a Bahia continua aparecendo como um dos endereços mais sólidos nesse mapa”, diz o consultor.
Deivisson Sousa (CEO Ora Finanças)
RURA11

O Rural Investimentos Agro (RURA11) também mantém exposição relevante à Bahia.
Entre os credores estão Horita, Schmidt, Leal, Santa Colomba, Itaueira e Cibra, com operações lastreadas em terras, recebíveis e estruturas produtivas.
A composição híbrida do portfólio, entre ativo físico e fluxo financeiro, o coloca entre os fundos que mais se aproximam da arquitetura dos FIIs de papel com foco em lastro imobiliário.
SNAG11

Encerrando a lista, o Suno Agro (SNAG11) tem entre suas operações o CRA Leitíssimo I e II, com origem e lastro baianos.
A Leitíssimo, sediada em Jaborandi (BA), é responsável pela Fábrica Leite Verde, unidade industrial que produz leite longa vida e derivados com distribuição nacional.
Mais do que uma marca reconhecida, o ativo representa infraestrutura, terreno e maquinário, que funcionam como garantias reais dentro de um fundo imobiliário listado.
Esses fundos reforçam que o investimento em imóveis evoluiu, o patrimônio físico agora também pode estar por trás de títulos de crédito. A Bahia continua como peça-chave nesse cenário, sustentando operações que unem lastro imobiliário, previsibilidade e valorização. Quer saber quais empreendimentos estão impulsionando esse movimento? Veja a lista de alguns dos principais projetos imobiliários para investir em Salvador em 2025.
Se os FIIs já provaram que não estão de férias na Bahia, os CRAs mostram que o estado segue rendendo bons frutos, para quem sabe onde investir.







