O TikTok vem ganhando força como espaço de vendas — inclusive para apartamentos. A Imvester, imobiliária e gestora de investimentos paulista, colocou uma equipe de corretores para realizar lives na plataforma oferecendo imóveis, em transmissões que duram o dia inteiro e contam com revezamento entre os apresentadores.
Em agosto, veio a primeira venda: um estúdio em Maragogi por R$ 350 mil. Um espectador que assistia à transmissão enviou mensagem privada ao vendedor e fechou negócio na hora.
“Além de vender, a live treina o meu corretor, porque deixa ele mais afiado sobre os detalhes do produto”, afirmou Paulo Motta, CEO da Imvester, ao Metro Quadrado. Animado com o resultado, Motta se tornou sócio da Tríade, agência de criadores de conteúdo especializada em vendas. A partir de agora, influenciadores vinculados à agência também vão divulgar imóveis em suas lives, recebendo taxa fixa por lead convertido em venda — com o fechamento do negócio ficando a cargo de um corretor habilitado.
Cury vende 11 apartamentos em uma única live
O modelo também vem sendo testado pela incorporadora Cury, que em sua estreia na plataforma vendeu 11 apartamentos de diferentes empreendimentos em bairros como Lapa e Carrão, em São Paulo. A transmissão somou 20 mil visualizações e 6 mil comentários, com novas lives já em planejamento.
“As 11 vendas mostram que o TikTok pode ser mais do que um canal de alcance e se tornar uma nova frente de conversão para o mercado imobiliário”, avaliou Alexandre Cunha, diretor-geral de vendas da Cury.
Parte de uma virada maior do TikTok para o comércio eletrônico
O avanço das vendas de imóveis na plataforma acompanha uma transformação mais ampla da rede social, que tem se voltado ao e-commerce desde a criação do TikTok Shop, em 2023 — modelo batizado de “Compra por Descoberta”, em que o usuário encontra produtos no meio do feed e finaliza a compra sem sair do aplicativo.
Nos Estados Unidos, a consultoria Emarketer projeta que o TikTok Shop deve movimentar US$ 23,4 bilhões em vendas em 2026, alta de 48% em um ano, com marcas como Sephora e Best Buy reforçando investimentos no canal. No Brasil, onde a plataforma foi lançada em maio de 2025, o banco BTG estima movimentação de cerca de R$ 20 bilhões neste ano.
No setor imobiliário, porém, o TikTok ainda atua apenas com exibição de anúncios de empresas como Quinto Andar, Loft e MRV — sem vendas diretas via TikTok Shop. Segundo a plataforma, o Brasil conta com 134 milhões de usuários, com idade média acima de 30 anos, faixa com maior interesse em imóveis. A empresa afirma que as ações dos corretores funcionam como um “halo effect”, impulsionando vendas por outros canais.
Comprador também migra para o app
O comportamento dos compradores reforça essa tendência. Segundo o Índice de Confiança do Mercado Imobiliário, da Loft, o TikTok teve o maior crescimento em preferência entre junho e setembro deste ano, saltando de 29% para 43% entre brasileiros que buscam imóveis nas redes sociais.
“Isso indica que novos formatos de conteúdo, como vídeos curtos mais informais, estão sendo incorporados já nas etapas iniciais da jornada de decisão imobiliária”, afirmou Fábio Takahashi, gerente de dados da Loft, ao Metro Quadrado.
Ainda de acordo com o levantamento, cada comprador costuma usar três redes diferentes na busca por imóveis, com Facebook, Instagram e WhatsApp liderando as preferências. A pesquisa também identificou maior uso do chat para avançar nas negociações — o que reforça, segundo Takahashi, a importância de um atendimento ágil nesses canais, já que muitos usuários preenchem o tempo de espera assistindo a vídeos em outras redes.







