A absorção líquida de escritórios de alto padrão em São Paulo apresentou queda recente, refletindo principalmente a escassez de novos empreendimentos no mercado corporativo. Segundo levantamento da consultoria Cushman & Wakefield, o indicador recuou cerca de 15% em 2025, totalizando aproximadamente 147,9 mil metros quadrados ocupados, após um período de forte demanda impulsionada pela retomada do trabalho presencial nas empresas.
O desempenho ocorre em um contexto de redução na entrega de novos edifícios corporativos. Ao longo do ano, apenas 49,9 mil metros quadrados de novas áreas de escritórios foram entregues na capital paulista, volume cerca de 35% inferior ao registrado no ano anterior, o que limitou as opções disponíveis para empresas em busca de espaços modernos.
Com a oferta mais restrita, muitas companhias passaram a direcionar a busca por escritórios para regiões consideradas alternativas ou secundárias da cidade, onde ainda existem edifícios mais novos e valores de locação relativamente mais competitivos. Enquanto áreas tradicionais e altamente disputadas, como o eixo da Faria Lima, registram preços que podem chegar a R$ 300 por metro quadrado, regiões como Pinheiros e Chucri Zaidan têm atraído empresas por oferecer espaços modernos com valores inferiores a R$ 200 por metro quadrado.
Especialistas avaliam que o movimento reflete um novo momento do mercado corporativo paulistano. Após o retorno gradual das equipes aos escritórios, as empresas passaram a buscar ambientes mais qualificados, com infraestrutura capaz de estimular a presença dos colaboradores e melhorar a experiência de trabalho. Nesse cenário, imóveis mais recentes e bem localizados ganham destaque, enquanto a falta de novos lançamentos limita a expansão da absorção de áreas corporativas.
Mesmo com a queda recente do indicador, analistas apontam que o mercado de escritórios de São Paulo segue relativamente aquecido, sustentado pela retomada da atividade econômica e pela redução gradual da vacância observada nos últimos anos. A expectativa do setor é que um novo ciclo de projetos corporativos possa ampliar a oferta nos próximos anos, acompanhando a demanda por espaços mais modernos e eficientes.







