Mercado de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) já supera R$ 260 bilhões no Brasil

Foto de Alã Mota
Alã Mota

O estoque de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) no país já ultrapassa a marca de R$ 260 bilhões. Criada há quase três décadas para diversificar as fontes de financiamento do setor imobiliário, essa modalidade de investimento ganhou espaço entre pessoas físicas e passou a financiar incorporadoras, loteadoras e outras empresas do segmento. Agora, começa a alcançar também projetos de menor porte por meio de plataformas de crowdfunding.

Origem do modelo

Até a década de 1990, o financiamento imobiliário brasileiro dependia majoritariamente dos recursos captados pela caderneta de poupança. Diante da redução da oferta de crédito, a Lei nº 9.514, de 1997, criou o Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI), instituindo os CRIs e regulamentando a atuação das companhias securitizadoras responsáveis por sua emissão. A legislação também trouxe a alienação fiduciária, garantia que facilitou a retomada de imóveis em casos de inadimplência e substituiu, em grande parte, a hipoteca.

Segundo Rodrigo de Abreu Pinto, presidente do Instituto Brasileiro de Finanças Digitais (IBFD) e da Comissão de Inovação e Mercado de Capitais da Abami, o SFI representou uma mudança estrutural ao criar mecanismos capazes de complementar o crédito bancário e aproximar investidores do financiamento imobiliário.

Como funciona um CRI

O CRI transforma pagamentos futuros de operações imobiliárias — como parcelas de compra de imóveis, aluguéis ou outros contratos do setor — em títulos disponíveis a investidores. A empresa cede esses recebíveis a uma securitizadora, que reúne os créditos e emite os certificados; os recursos captados junto aos investidores são repassados à empresa, e os pagamentos futuros dos devedores remuneram quem adquiriu os títulos.

De acordo com Rodrigo, a segurança jurídica foi decisiva para o amadurecimento do mercado, já que a separação entre os ativos que lastreiam cada emissão e o patrimônio da securitizadora protege o investidor e confere credibilidade às operações.

Isenção fiscal atraiu pessoas físicas

A isenção de Imposto de Renda sobre rendimentos de CRIs para pessoas físicas, em vigor desde 2004, ajudou a ampliar a procura pelo produto — hoje, investidores individuais detêm a maior parte dos títulos em circulação.

Fábio Fazio, sócio da Pequod Investimentos, ressalta que, apesar de o produto se alinhar à preferência do investidor brasileiro por renda fixa, a decisão exige análise criteriosa: diferentemente de aplicações cobertas pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), os CRIs carregam risco atrelado à qualidade dos recebíveis e das garantias de cada emissão — de forma que taxas muito altas costumam sinalizar riscos elevados.

Como investir

Os CRIs podem ser adquiridos por bancos, corretoras e plataformas de investimento autorizadas, seja na oferta inicial, seja no mercado secundário. O valor mínimo varia conforme a emissão, e a remuneração pode ser prefixada ou atrelada a indicadores como CDI, IPCA e IGP-M. Antes de investir, é fundamental avaliar taxa, prazo, calendário de pagamentos, qualidade dos créditos, capacidade de pagamento dos devedores e classificação de risco — já que a baixa liquidez desses títulos pode dificultar a venda antecipada sem perdas.

Crowdfunding amplia o acesso

Mudanças regulatórias também vêm facilitando o acesso a esse mercado. A Resolução CVM nº 60 organizou as regras para securitizadoras e operações de securitização, enquanto a Resolução CVM nº 88 modernizou as ofertas públicas de valores mobiliários. Nesse contexto, plataformas de crowdfunding de investimento começam a distribuir operações ligadas a CRIs, com captação de até R$ 15 milhões por ano e regras simplificadas — o que reduz custos e amplia o acesso de pequenas e médias empresas ao mercado de capitais.

Para o advogado Gustavo Carvalho, diretor Jurídico e de Operações da GCB Investimentos, a combinação entre regulação, tecnologia — como blockchain e tokenização — e novos canais de distribuição deve ampliar ainda mais o uso dos CRIs, permitindo que empresas de diferentes portes captem recursos com segurança e custos competitivos.

Receba o ranking com os melhores empreendimentos para investir em salvador

Análise de Empreendimentos

Receba Nossa Newsletter

Receba no seu email dados e informações confiáveis do mercado imobiliário de Salvador e região.
Universo Imobiliário

Ola, tudo bem?

11:00

Você pode entrar em contato conosco para tirar suas dúvidas e buscar mais informações.

11:00

Para isso basta preencher com seus dados nos campos abaixo.

11:00
Universo Imobiliário

Ola, tudo bem?

11:00

Você está quase lá para receber o Ranking de Melhores Investimentos.

11:00

Para isso basta preencher com seus dados nos campos abaixo.

11:00
Cookies e Privacidade

Utilizamos cookies para fins estatísticos e para melhorar nossos produtos e serviços, proporcionando uma experiência melhor para você. Ao navegar no site, você concorda com nossos Termos e Políticas.