Apesar da desaceleração no Produto Interno Bruto (PIB) da construção civil, o desempenho das construtoras segue firme e tem sido o principal motor de sustentação da atividade no país.
Em 2025, o crescimento do setor foi modesto — cerca de 0,5% — impactado principalmente pelos juros elevados e pela retração nas reformas e pequenas obras, que dependem mais diretamente do consumo das famílias.
Ainda assim, o cenário não reflete uma paralisação do setor. Pelo contrário: grandes construtoras e incorporadoras continuam ampliando lançamentos, investindo em novos projetos e mantendo um volume consistente de obras em andamento.
Esse contraste revela uma mudança importante na dinâmica da construção civil. Enquanto o segmento mais pulverizado — como pequenas reformas e autoconstrução — perde força, o mercado estruturado, liderado por empresas, ganha protagonismo e sustenta o crescimento.
Outro fator que ajuda a explicar essa resiliência é o desempenho do mercado imobiliário, especialmente em programas habitacionais e empreendimentos voltados à média e baixa renda. Esses segmentos continuam registrando demanda aquecida, mesmo em um ambiente econômico mais restritivo.
Além disso, os investimentos em infraestrutura, tanto públicos quanto privados, seguem como um importante pilar de sustentação, garantindo fluxo de obras e geração de empregos.
Por outro lado, o setor ainda enfrenta desafios relevantes. A taxa de juros elevada continua encarecendo o crédito e limitando novos investimentos, enquanto o alto custo de materiais e a escassez de mão de obra qualificada pressionam as margens das empresas.
Mesmo com esses entraves, o mercado demonstra capacidade de adaptação. O desempenho das construtoras indica que, embora o PIB do setor avance em ritmo mais lento, a atividade permanece aquecida em áreas estratégicas.
Para 2026, a expectativa é de recuperação gradual, impulsionada por uma possível queda nos juros, ampliação do crédito imobiliário e continuidade dos investimentos em infraestrutura.
O cenário, portanto, é de desaceleração no indicador macroeconômico, mas com fundamentos que apontam para continuidade e até retomada do crescimento — especialmente puxada pelas empresas que lideram o setor.







